Um novo ano termina. Olhei para minhas avaliações anteriores, meu desejo de não abraçar o mundo. Porém, terminei o ano como Atlas. Não sei onde jogo fora essa massa esférica de preocupações e compromissos dos quais nunca desejei por completo. Assumir novas prioridades, escapar de destinos que parecem ser um caminho natural, criar novas soluções dentro de um mundo caótico e sombrio.
O nome do site deriva do termo "Deus ex machina" (Latim: Deus surgido da máquina), que indica o surgimento de algo que, introduzido repentinamente na trama ficcional, amarra as pontas soltas e dá sentido a história.
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domingo, 29 de dezembro de 2019
domingo, 15 de julho de 2018
Minha história de pesquisa acadêmica
Vou tentar aqui esboçar um pouco do que foi minha história de pesquisa desde a faculdade. Muitos me questionam sobre o que pesquiso, e na verdade nunca soube dar uma resposta. Nunca soube nomear o que faço, pois acho que, como é uma pesquisa teórica, ela não tem um foco muito definido, ou eu que nunca o defini muito bem. Assim, resolvi tentar esboçar aqui minhas atividades.
domingo, 1 de julho de 2018
Tendência revisionista
Auto-retrato, Picasso
Quando se vive apinhado de urgências, um mínimo descanso soa, na falta de hábito, com uma ansiedade difusa, um sentimento de que há algo a fazer e que foi esquecido. Talvez o que se esquece é justamente que a vida é feita também desses momentos em que não há obrigações.
É assim que inicio minhas férias, e em clima de revisão. As pessoas em geral preferem seguir calendários para esses movimentos. Estou seis meses adiantado, ou seis meses atrasado. Enfim, o que importa é olhar para si e perceber que as coisas mudam e que se você continuar parado com os mesmos hábitos, vai adoecer.
O primeiro passo é tomar consciência de alguns movimentos. Não em sentido psicanalítico, não é análise, mas simples auto-observação. Falta isso no dia a dia. A partir disso, percebi que meus braços não cobrem o Equador. Não posso abraçar o mundo, nem tenho intenção de fazê-lo. Está na hora de abrir mão do controle obsessivo, liberar o esfincter mental que acumula tudo em si.
O problema de eliminar coisas só existe quando temos que escolher entre atividades que gostamos. Se algo não é importante para nós e não somos obrigado a ele, não há porque manter. Se ele não é importante, mas alguma contingência da vida nos mantém atado a ele, também não há muito problema, a não ser ter que aceitar continuar desse modo. O problema mesmo é quando se gosta de várias coisas não há tempo para todas.
É melhor perder algo se tiver que investir em outra coisa que goste mais, e que é mais importante para si. Nisso, eu venho escolhendo restringir interesses, direcionar estudos, dizer "não" a algumas coisas. Não é fácil, mas os frutos estão aparecendo. Espero que possa, assim, abrir espaços para aquilo que realmente importa no caminho que quero e dou conta de traçar.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Idiokosmos em expansão
Antes
escrevia por ter certo orgulho narcísico de minhas palavras. No início, tais
eram ainda brutas, mas almejavam o requinte dos grandes reinados absolutistas
franceses. Com o fim precoce da juventude, logo situei melhor cada locução, e
quanto mais minha técnica melhorava, maior era a consciência que tinha de minha
ignorância. Eis aí o aprendizado socrático que tive em relação ao saber. O
idiota é justamente aquele que engole um balão. Sua superfície reluz e reflete
ao mundo todo sua distorcida visão da verdade. Tão cheio, tão vazio. O espaço
que ocupa é tão incomensurável quanto o nada que lhe é a essência. O tempo se
encarrega da entropia, espalha as partículas desse conhecimento aéreo, e por
fim, com o balão cada vez mais murcho, passamos a ter mais consciência de que
esse tudo que éramos nada significava. A sabedoria é, pois tão somente a
ciência do vazio de nossas almas frente à plenitude do mundo.
Sartreano,
não? Talvez... Meio ridículo pensar que somos meros sacos a ser preenchido de
bons grãos. Mas ainda esse pensamento me fez refletir que antes era balão cheio
de minha auto-nulidade, e que agora há espaço para outras formas mais brandas
de vazio. Sinto que posso sentar na beirada do abismo, e contemplar a paz de
meu interior ôco, a opacidade da noite de minha alma. Ela agora é capaz de
responder-me, em eco, os trechos finais de minhas meditações, como se estivesse
acompanhando, interessado, meus próprios pensamentos. É tanto si-a-si que chega
a se esfacelar esse eu que vos fala, e as palavras, as imagens ganham vida
própria, formam auroras boreais semitranslúcidas que serpenteiam por seus
movimentos próprios neste céu do que era, nesse nada que tudo fui. Ao deixar de
ser pleno eu, ao se afastar do nada-eu, sobra-me algo, algo este que, quase,
sou.
sábado, 16 de junho de 2012
Àfalo
Venho aqui expressar que sinto-me castrado. Porém, a perda de um falo não resultou em uma tristeza absoluta mas, o que é pior, levou-me a um estado de depressão construtiva, bem ao gosto dos psicanalistas.
Não tenho muito tempo, tenho que buscar minha vida nos códigos monetários. Não que isso seja algo novo a mim, mas somente o peso da labuta cansa-me... retomo esses parágrafos em outro momento, nem sei quando a labuta começou a cansar-se, quando o cotidiano tornou-se hábito, mas sei que, a poucos dias de férias, sinto como se minha bexiga mental estivesse por explodir, tal como a real se comprime mais violentamente na razão direta da distância do banheiro.
Esse era outro trecho perdido, buscando completar-se em algo mais consistente, mas que ficou pelo meio, nada mais digno de um eunuco social.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Definir-nos, a que será que se destina?
Eu, por Merleau-Ponty: Massa de carne que teima em ver sendo visto, sem saber se toco ou sinto, assaz ambíguo para me desfazer do resto do mundo. Repleto de caminhos, entraves, porquês e sentidos, meio amorfo, talvez...
Eu, por Freud: Mamãe deu mamá, limpou cocô, deu tapinha e pôs na escola. Papai ameaçou cortar meu pipi. Tudo porque nunca quis sair do grando Paraíso oceânico, e porque quis matar papai, por não me deixar lá, fundido, absorto, como um simples órgão a flutuar...
Eu, por Deleuze: ?
Eu, por Murphy: Todo nascimento é o início da morte.
Eu, por mim: A grande Roda da Fortuna é uma foice que circula, corta, transforma, distorce, conforma, corrói, pergunta e pergunta e pergunta...
Definir: Limitar o Múltiplo através dos limites "precisos" da linguagem. Enumerar, prediz, reduz.
Ou seja, Mentir.
Não é convencimento meu afirmar que não posso ser definido por ser grande demais para caber num conceito. Apenas deixo claro que, entre eu e vocês não há só uma teia de indeterminadas possibilidades de sentidos e de ação (e cabe a cada um tecê-las, conforme suas vidas, sua história e seu próprio universo), mas há também a perspectiva, as visões de mundo, a probabilidade e tudo aquilo que tira o Homem do seu altar no Ser e no Eu (e, o pior, que nos tira a legitimidade de conjugá-los no "eu sou").
Assim, que o tempo passe, que os acontecimentos atualizem-se nessa corrente centrífuga que é o Agora, que cada um opine com quiser... Sendo assim, foda-se, seja lá o que eu for.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Nostalgia dos membros, sofrimento do corpo
Em meio a um atendimento, retornou em mim uma angustia antiga, companheira, em uma intensidade nunca antes experimentada. Uma sensação de bugalhos. Lembram-se deles? Aqueles cinco saquinhos de arroz, jogador ritmicamente ao alto enquanto pegávamos os restantes jogados ao chão. Quando criança, tomada por alguma ansiedade sem nome, era essa sensação que tinha. Como se estivesse entre eles, ou com eles dentro de mim.
Dessa vez, a sensação tomou novas proporções. Na realidade, eu tomei novas proporções. Sentia-me grande, e tomado pelo medo irracional de não caber no sofá. Inflado, minhas mãos pareciam inchadas, tudo ficava pequeno. Entretanto, mantinha a calma e o raciocínio, embora parecia perdê-lo. Deveria ter encerrado, e o fiz antes do horário previsto. Mas, antes do encerramento, senti-me como um balão esvaziado, e uma alívio e um calafrio tomaram meu corpo.
Geralmente pacientes deprimidos nos sugam as energias. Na assunção generalizada que fazem das culpabilidades alheias, retiram junto com a culpa do Outro sua liberdade e vitalidade, nos cansam e temos então que nos perceber desse movimento, para assim trabalharmo-nos melhor como continentes e interpretar seu conteúdo.
Mas o que aconteceu foi inesperado, não uma inflação maníaca, mas angustiante, como uma perda de controle. Estaria eu recebendo algo que não cabia no continente? Se sim, era algo de uma ordem intercorporal tão primitivo, que não se pode ter acesso. Tudo parecia igual, nada diferente ocorrera. Que força seria essa com poder de me ressuscitar algo tão antigo?
No fundo de nossa arqueologia, no solo comum de nossas vidas, algo sem nome move-se, e abala as camadas tectônicas de nossa personalidade estratificada. Que bestiário gigantesco classificaria a potencia que subjaz nossas raízes neste mundo?
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Auto-explicação por insight
Percebo que, de todos os movimentos que inicio por vontade que faço minha, e que perecem por vontade própria (dele mesmo), estão vinculados há uma teologia e a uma cosmologia (e acabam por discutir também uma gnosiologia, uma ontologia, que acaba de vez em quando pendendo a uma metafisica).
Pretensão do escritor, somente se vocês, leitores, sentirem que o fato de categorizar um grupo disjuntivo de orações por nomes altamente "statizados" significa exatamente elevá-las a essas categorias. As palavras acima são descritivas de campos de assuntos, e não categorizações.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Fenomenologia do tédio
Este é meu novo projeto. Como acaba de ganhar um nome, está pronto para perecer. Tudo se determina na morte e, como na morte se acaba, tal determinação é inútil e fugaz.
O Tédio é a força-mor, ela rege a inconsciência perversa de nossa sociedade atual. Cabe a nós, fenomenologicamente, alcançar o âmago dessa experiência, compreender sua estrutura originária na constituição do Ser.
Tudo é devir, entretanto, quando este se acalma, se dobra em relações consigo, fecha-se numa circularidade, atinge um ritmo, um pulso regular, uma reiteração de si... atinge o ponto ideal do que chamamos Ser. Não que uma tal mônada pudesse perseguir ilesa no grande oceano furioso, batendo contra rochas e sendo alvo de agenciamentos que o ultrapassam.
O ser é um tornar a ser, um devir da "seidade". Enquanto tal, ele se estratifica, se territorializa, cria uma estrutura, uma identidade, uma identificação, separa-se das amarras agenciadoras da qual veio, e acaba por ganhar um status pseudo-transcendental.
Entretanto, nesse momento em que atinge a plenitude do Ser, só resta-nos uma única possibilidade de volta. Para os que perdem até esse último retorno da rodovia, sobra-lhes, como os marujos do "holandês voador", transformar-se em paredes, em casco, em barco, enfim, estruturar-se até o nível do inanimado.
Mas alguns vislumbram a última saída do Ser... enquanto último, é sua essência, seu fundamento, sua força-motriz... o tédio.
Poucos alcançam de forma plena essa etapa. Há um árduo trabalho em atingi-la. nem o autista, que oscila seu corpo ritmicamente, sente o momento em que, na identificação do mesmo com o mesmo, há o colapso de partículas iguais que se integram numa força estrondosa, mas, ao contrário da força que, na mesma física, compõe a violência vital de nosso sol, ela é uma força silenciosa, negativa, reativa, implosão que se faz no sonho em que, ao tentarmos fugir, nossas pernas não respondem...
Há uma força negativa, repudiada pelos esquizoanalistas, mas que centripetamente reúne nossa sociedade em um núcleo que ultrapassa até o maior sentimento de insatisfação coletiva.
Há muito ainda para se conseguir descrever o tédio. Freud descobre a neurose como o sintoma-movente do capitalismo industrial, Deleuze aponta a esquizofrenia de nosso capitalismo financeiro, Baudrillard revela a perversão de nosso capitalismo informatizado... o que nos resta de inovação patológica... os indivíduos, as massas, as pedras, os cálices, os estrumes, os cães, os mares, os deuses, o tudo, os vários, os alguns, nada resiste ao movimento e sua lentidão, sua estagnação, seu zero, seu vácuo, seu tédio.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Quando o tédio desprende da carne
Não consigo produzir... acabei preso numa rede de trabalho que se processa pela repetição técnica, mesmo que se trate do mais alto conhecimento... há agora uma sensação pancreática difusa de criação, que não se reúne em ato... preciso escrever um trabalho, estruturar um pensamento, mas este ainda recusa-se passar por mim... resta-me o pinguim que, mesmo morto, está sempre aceso a boxear meu estômago.
segunda-feira, 21 de maio de 2007
marasmo em pó
é poder de uma pílula tornar-nos enfadonhos? estagnados, tediosos.
Estou vivendo um mal-estar estomacal, visceral, não orgânico. algo que grita e ruge dentro de minha barriga pedindo socorro, dizendo que pelo amor de Deus, faça algo útil... mas os braços pouco respondem... a cabeça tampouco.
Arre pinguim, larápio das forças produtivas, mentor do esquema de escravidão humana!
Nem morto nos liberta de sua tirania!
Sobra o totem, cuja contemplação diária tenho que realizar.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Hiância do Analista
Oxóssi:

Sei que aceitas mais oferendas que pequenas velas verdes, mas penses no sentido ritual, e na eficácia simbólica que lhe é inerente.
Bom, acendi, acendi novamente, e o farei de novo, e de novo, até que se esgote o pedido, até que se esgote a graça alcançada, em uma ladainha que de tão repetitiva consegue ordenar o caos do cosmo (anti-Caosmose?) em uma linha literal de bençãos...
Paradigma da fé.
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Ato Falho 2
de própria autoria:
"esse é o soneto da infidelidade?"
há coisas que só o Grande Outro faz por você
Para o resto, mastercard...
"esse é o soneto da infidelidade?"
há coisas que só o Grande Outro faz por você
Para o resto, mastercard...
segunda-feira, 10 de outubro de 2005
Pecados...
Olha, há algum tempo atrás, quando não podia pensar em brincar de ser adulto, toda causalidade era verdadeira, e murphyana: prazer-dor. Complexo persistente, lógica simétrica.
Nesse momento, vendo meu pequeno pinguim a girar constantemente no ar a socar meu estômago, sendo eu nesse momento somente estômago e garganta, pedindo desesperadamente que tudo acabe, prestes a vomitar...
Se Deus não tivesse morrido com um beijo ("Judas, com um beijo trais o Filho do homem?", Lucas 22:48), talvez a lógica divina teria perpetuado... Quanto trabalho teria, oh! Santa Psicologia, pastora dos pobres de espírito!
Meus agradecimentos a este beijo, Judas!
segunda-feira, 3 de outubro de 2005
Gerar...
1o: Numa dada época, os animais sofrem toda uma mudança hormonal e corporal, que os colocam em plena preparação...
2o: Se o animal for o bicho homem, logo ele tem que excomungar o sentimento de culpa, o que dura em média 50 minutos.
3o: Os seres vivos sempre realizam rituais incompreensíveis. Mas, para muitos, ou não, há alguns rituais concordantes. Concorda, acordo, concorda. Simples.
4o: Amenidades 1: Seria o oposto do silêncio insuportável? (mesmo sendo tão difícil quanto?)
5o: Pouco seres vivos vivem isolados. O Mundo é pequeno demais...
6o: Esqueça o "você vem sempre aqui?". Vide Amenidades 1.
7o: Dizem biólogos que, desde que algumas células deixaram de replicar-se para trocar genes, o que se propagou pela cadeia evolutiva, pode-se verificar o que se chama hoje de morte - Ah!, aquela maçã!...
8o: A água, como vê-se no episódio de Pilatos, é símbolo de purificação dos pecados. Não custa tentar, nem que esta seja a extrema unção!
9o: Amenidades 2: Nem o silêncio incomodaria este sublime momento...
10o: Isso leva ao nascimento! sim, o pequeno pinguim pode agora tropeçar por ai e aproveitar sua curta vida. Viverá não mais que 5 dias, mas cada um com um gosto mais refinado que o anterior. Ah!, pequeno pinguim... !
segunda-feira, 12 de setembro de 2005
Dicionário Onírico
- "o"paxia: neologismo declarado, com acréscimo do "o" ao "paxia". Entretanto, não há sentido explícito, apenas uma associação, também explícita, com "falta de ar" (asfixia).
- Ufermatizar: o prefixo "ufer", sinônimo do prefixo "uber", é um "superlativo" do radical, no caso matizar (variar, adornar, dar cores). Expressão: ufermatizar os problemas - reconhecido explicitamente como um neologismo.
- Mulambi: Substância química presente em ratos da espécie Wistar, numa experiência sobre desnutrição.
- Ourska: Manifestação energética coletiva, com força de interação contínua, indiferenciada, universal e geradora. Constitutiva da Persona, porém ela é relativa a algo mais primitivo. Ou qualquer coisa assim...
- Viedro: "sólido" geométrico côncavo-convexo de n faces transparentes. Nenhuma perspectiva dela é igual a outra...
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