Auto-retrato, Picasso
Quando se vive apinhado de urgências, um mínimo descanso soa, na falta de hábito, com uma ansiedade difusa, um sentimento de que há algo a fazer e que foi esquecido. Talvez o que se esquece é justamente que a vida é feita também desses momentos em que não há obrigações.
É assim que inicio minhas férias, e em clima de revisão. As pessoas em geral preferem seguir calendários para esses movimentos. Estou seis meses adiantado, ou seis meses atrasado. Enfim, o que importa é olhar para si e perceber que as coisas mudam e que se você continuar parado com os mesmos hábitos, vai adoecer.
O primeiro passo é tomar consciência de alguns movimentos. Não em sentido psicanalítico, não é análise, mas simples auto-observação. Falta isso no dia a dia. A partir disso, percebi que meus braços não cobrem o Equador. Não posso abraçar o mundo, nem tenho intenção de fazê-lo. Está na hora de abrir mão do controle obsessivo, liberar o esfincter mental que acumula tudo em si.
O problema de eliminar coisas só existe quando temos que escolher entre atividades que gostamos. Se algo não é importante para nós e não somos obrigado a ele, não há porque manter. Se ele não é importante, mas alguma contingência da vida nos mantém atado a ele, também não há muito problema, a não ser ter que aceitar continuar desse modo. O problema mesmo é quando se gosta de várias coisas não há tempo para todas.
É melhor perder algo se tiver que investir em outra coisa que goste mais, e que é mais importante para si. Nisso, eu venho escolhendo restringir interesses, direcionar estudos, dizer "não" a algumas coisas. Não é fácil, mas os frutos estão aparecendo. Espero que possa, assim, abrir espaços para aquilo que realmente importa no caminho que quero e dou conta de traçar.

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