sábado, 26 de fevereiro de 2011

Escola freakshow

     A instituição escolar como exacerbação do Mesmo gera uma aberração maior que os aberrantes que a compõe.

    O bullying enquanto patologia é contingente de uma sociedade que emprega o inglês como substantivo nominal básico de qualquer forma de pseudoprofundidade científica. Ou seja, do processo de homogeneização lateral por via axiomática, no valor virtual de troca do capital.

     Assim, toda diversidade inextinguível sai ao menos marcada subjetivamente, diferença marcada como desvio, desvio codificado e aceito, ou rejeitado e depositado em outras cadeias significantes cujo mastro-falo possibilite novas relações e ligações axiomáticas.

     Assim, o deficiente, o gordinho, o feio, o religioso, o gay, cada qual acaba por, na afirmação de sua diferença, fazê-lo pelo mesmo, criar discurso que o signifique e o possibilite entrar no jogo capitalístico.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

o oco do perverso

O perverso não se angustia... seu sintoma maior é o tédio. Como perambula por entre as regras, ultrapassando limites, tudo lhe transparece como se não houvessem barreiras intransponíveis... tudo se iguala ao redor do véu que tampona a falta do pênis materno, tudo se iguala no valor de troca fálico... no mundo fálico-capitalístico, todos podem comprar seu próprio pau. As contingências e as impossibilidades que advém com o nascimento, todas desaparecem à sombra do artificial... a repetição do pseudo-novo, a mesmice da novidade cotidiana, o tédio orgânico ao qual levam...

Shopping Santa Úrsula: templo suicida

Uai, porque justo um shopping tornou-se point de suicidas? Com certeza não é só pela facilidade de pular do terceiro andar, pois há vários lugares também possíveis... a vida, dolarizada, tem o shopping como seu templo do vazio, do oco necessário a dinâmica do ter. Porque a necessidade dessa morte visível, desse showmício? Tudo é reality show, tudo está no youtube, a informação está sob o paradigma da universalização rasa, todos. Podem saber de tudo, e por fim ninguém sabe nada. O panóptico tornou-se omniótico, sem centro, sem sujeito, tudo é visível e vidente, o shopping circular, ambientalizado, asséptico, retira-nos da contingência e das diferenças que nos permeiam e nos insere num mundo onde tudo é transparente, vitrine, tudo lhe é acessível desde que se axiomatize pelo capital.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

olhar funebre de um pinguim

Um pinguim, em fuga de sua orca, sabe-se já não pertencer a este mundo. Entretanto, se marcado pelo tédio, a rodopiar na monotonia preto-branco de sua carne, escapa às contingências da morte, preso no eterno luto de si mesmo... para-se o tempo com lamúrias preguiçosas, amplia-o como uma bolha o faz com a luz que a transpassa. O tédio são gases intestinais, a dilatar nosso tempo sofrido, paralisar o sofrimento. A isso dá-se o nome de gozo.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Pay-per-view

A devassidāo dos relatórios,
a lubricidade que escorre do relógio de ponto,
gozam índices de desempenho pelo vai-e-vem da produtividade...
todos se car-comem entre engrenagens,
todos de ludibriam nas fantasias gerento-fálicas...
o capital-interrompido, sempre a prolongar o consumo tântrico, que posterga o clímax ao post-mortem...
nada sobram, além de ligeiras fumaças de cigarro, onde soçobram as esperanças.

O entumescimento burguês,
a frigidez proletária,
o que explode e transborda nas alcovas bancárias,
o fluido viscoso de nossos extratos,
em jatos sórdidos por entre juros e taxas de crédito...

‎$$$$$$$$$$$$$$$$$
grita em momento de glória, por fim,
míseros segundo antes do débito em conta,
momento ínfimo de trégua do desejo e de seu recomeço...

tudo é seduçāo no violento mover do dolar,
que a tudo representa e a tudo substitui.