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| Saturno devorando seu filho, Goya |
Amarro-me atravessado na angústia, prendo-me a universos distintos que rotacionam em sentidos opostos. Cindido ao meio, eu e eu e eu e eu e outro e outro e outro, e nada, e algo. A relatividade einsteniana é intrigante, pois seu efeito sobre a angústia é tão pungente quanto o que se dá a grandes astros. Quanto mais o peito se torna denso, maior é a distorção de meu espaço-tempo, os ponteiros se lentificam em uma eternidade por segundo, os movimentos transacionais se repelem através de um processo inflacionário que torna-me cada vez mais rarefeito.
Quem dera minh'alma comprimisse nessa dor lancinante, e que dessa singularidade um universo inteiro nascesse sob as regras quânticas de meu tédio?
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