"o idealismo é também objetivista, no sentido em que objetiva os estados de consciência considerados por ele como a única realidade" (Destouches-Février, citado por Merleau-Ponty, A Natureza).
Assim, a noção de consciência, tal como é adotada no ocidente, é incapaz de dar conta dos resultados da mecânica quântica. Duas soluções:
- ou Amit Goswani deixa de chamar sua teoria de "monismo idealista", já que sua noção de consciência é oriental;
- ou abole-se a noção de consciência e assume-se que o ser não é auto-consciente, mas identidade na diferença, carne (Merleau-Ponty).
Outro ponto:
"Se uma filosofia puder corresponder à mecânica quântica, será uma filosofia mais realista, cuja verdade não será definida em termos transcendentais, e também mais subjetivista. Ao 'Eu penso' universal da filosofia transcendental deve suceder o aspecto situado e encarnado do físico" (Merleau-Ponty, A natureza, p. 156)
Contra o filme "Quem somos nós?"
"A realidade dependeria de nosso arbítrio? Não a realidade, mas a imagem pela qual a entendemos. Não podemos aprender que quer que seja sobre o átomo senão através da experiência; ora, a experiência é uma violação da natureza. Em suma, forçamos o átomo a comunicar-nos as suas qualidades numa língua adaptada" (C. von Weizsäcker - "o mundo visto pela física", citado por Merleau-Ponty, A Natureza, p. 156-7).
Após esses e outros pontos, conclui-se que a física não pode ser realista (o monismo materialista, como acusa Goswani), pois nunca se coincide com o objeto em si; nem idealista, mas sim um realismo parcial.
