Nosso humor causa fibrilações no mundo noturno, rearranjando os sons e as tonalidades em um sentido de mistério e perigo. Mas a escuridão da noite já não nos induz a essa estruturação? A indistinção das formas, a labilidade das sombras, cria-se um espectro de mundo, que pouco nos dá. Mas aquilo que o mundo não dá ele demanda do sujeito, e atapeta as frágeis estruturações com o dentro, com a escuridão do inconsciente perceptivo, afetivo, e toda tonalidade pessoal que ali se apresenta.
Se às claras, tudo já ganha a marca do sujeito que as observa, a escuridão revela de forma privilegiada esse mundo sedutor, que incita o sujeito por seus desejos contra sua vontade. O que era de dentro passa vir de fora.