| ANÔNIMO - Exú Mirim. Escultura popular brasileira em tamanho natural, esculpida em monobloco de madeira e policromada. 83 cm |
Quisera eu, benvenido
Pudera eu, ter concebido
como Arnaldo Antunes
amado Exú, que de nada adiantam as palavras,
se não se brinca com elas,
faz sexo com elas,
as ignora, as obsedia.
Obsedar é minha nova obsessão.
Querido Exú, caverinhas à parte,
Espero tu às minhas costas,
guarda meu cu, minhas entranhas,
Meus pulsos, minhas [infâncias] andanças.
Pudera Eu, euzinho,
deixar de ser pequenininho, um erê,
e alcançar as águas salobras do meu viver?
Nadar? Como, se perdi minha touca?
e minhas mãos, e minhas forças?
soçobro eu, em densas águas,
Mas ainda afundo,
nesse refrão insosso
Que não soube escrever.