Eu, por Merleau-Ponty: Massa de carne que teima em ver sendo visto, sem saber se toco ou sinto, assaz ambíguo para me desfazer do resto do mundo. Repleto de caminhos, entraves, porquês e sentidos, meio amorfo, talvez...
Eu, por Freud: Mamãe deu mamá, limpou cocô, deu tapinha e pôs na escola. Papai ameaçou cortar meu pipi. Tudo porque nunca quis sair do grando Paraíso oceânico, e porque quis matar papai, por não me deixar lá, fundido, absorto, como um simples órgão a flutuar...
Eu, por Deleuze: ?
Eu, por Murphy: Todo nascimento é o início da morte.
Eu, por mim: A grande Roda da Fortuna é uma foice que circula, corta, transforma, distorce, conforma, corrói, pergunta e pergunta e pergunta...
Definir: Limitar o Múltiplo através dos limites "precisos" da linguagem. Enumerar, prediz, reduz.
Ou seja, Mentir.
Não é convencimento meu afirmar que não posso ser definido por ser grande demais para caber num conceito. Apenas deixo claro que, entre eu e vocês não há só uma teia de indeterminadas possibilidades de sentidos e de ação (e cabe a cada um tecê-las, conforme suas vidas, sua história e seu próprio universo), mas há também a perspectiva, as visões de mundo, a probabilidade e tudo aquilo que tira o Homem do seu altar no Ser e no Eu (e, o pior, que nos tira a legitimidade de conjugá-los no "eu sou").
Assim, que o tempo passe, que os acontecimentos atualizem-se nessa corrente centrífuga que é o Agora, que cada um opine com quiser... Sendo assim, foda-se, seja lá o que eu for.
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