Por caminhos tortos minha mente vagueia entre depressões e outras tristezas. Dizem que sou distímico, que meu ritmo emocional é lento e vagaroso, marcado pela autodepreciação que se transveste de culpa cristã. Fere a si para não ferir aos outros, mentira, fere a si para assim ferir mais profundamente o outro.
A faca especular que me atravessa atinge outrem-mim, assassinato em primeiro grau, planejado e com requintes de crueldade. Mesmo esse texto, acusatório, participa do fetiche sádico travestido de masoquismo. Deleuze separa sadismo e masoquismo por que nunca teve uma sessão de autotortura sexual bem feita. Sua molecularidade era desculpa pra não precisar dar o rabo.
Por fim, escrevi para obter um alívio nesse universo semiárido de minha cabeça.
Alimento pequenas esperanças, construo sobretudo mini-amores, como se minha vida pudesse ser constituída de uma polivocidade de línguas. No fim, submeto-me ao mesmo tédio que habita sempre meu coração.
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