quinta-feira, 14 de junho de 2018

Carne da palavra


A boca, genitália inútil, busca, nos entremeios de seus verbos as saliências dos versos incrustados na grossa crosta de suas pernas em puídas calças de brim azul.

Não há Nada, além do ácido suor a desgostar a língua, e a pujança dos léxicos em suas coxas finamente delineadas, pronta a titubear mesmo a prosa luciferina, carne mesma dos caninos a brincar de vampirismo nas incisivas marcas em minhas costas.

E, no encontro de músculos incansáveis, a obtusa gramática sem rodeios, percorre os veios pálidos pela nicotina das eternas desculpas recitadas no espelho. Me dá um cigarro, louva o poeta e clama a boca, cuspindo a outra um escarro em centenas de lancinantes adjetivos, penetrando e perfazendo pérfidas personificações pertinentes a perversidade da al-cunha atroz, lábil e conundente de língua.

Sexo oral é redundância.

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